Às vezes, desenvolver começa por reconhecer o que já existe
Em alguns momentos da minha trajetória profissional, precisei escolher pessoas para assumir novas responsabilidades.
Um auxiliar de produção que poderia tornar-se operador. Um operador que demonstrava condições de liderar. Um líder que parecia preparado para assumir uma supervisão.
Nunca fiz disso uma regra. Quando não enxergava alguém preparado, buscava no mercado. Mas, quando alguém se destacava dentro da própria equipe, eu preferia oferecer a oportunidade.
E essas escolhas quase sempre me surpreendiam.
Talvez porque aquelas pessoas já conhecessem os processos, já estivessem integradas ao time e já tivessem construído relações. Mas havia algo além disso.
Elas estavam recebendo a oportunidade de mostrar que podiam ser mais.
Era interessante acompanhar a mudança. A responsabilidade aumentava, mas junto com ela parecia crescer também o comprometimento de quem havia recebido aquele voto de confiança.
Na época, eu apenas achava mais inteligente aproveitar uma capacidade que já conseguia enxergar.
Anos depois percebi que, ao fazer isso, não estava apenas preenchendo posições.
Estava valorizando pessoas, fortalecendo vínculos e ajudando a construir uma cultura na qual crescer dentro da empresa era uma possibilidade real.
Talvez algumas capacidades não precisem ser encontradas.
Precisem apenas ser reconhecidas — e receber uma oportunidade.