O dia em que novos produtos se tornaram desafio coletivo
Durante muitos anos observei uma cena que parecia se repetir em diferentes empresas. Sempre que uma nova linha de produtos era apresentada, surgiam as mesmas reações: dúvidas, insegurança, resistência e uma sensação de que aquele lançamento apenas aumentaria o trabalho de todos.
Percebi que o problema não estava na inovação. Estava na forma como ela chegava às pessoas. Foi então que decidi experimentar uma abordagem diferente.
Antes que um novo produto entrasse na produção, reuníamos representantes das principais áreas da empresa. Cada setor participava não apenas por meio de sua liderança, mas também com um colaborador da operação, escolhido em sistema de rodízio.
Naquela reunião, o objetivo não era apenas apresentar desenhos ou especificações técnicas.
Conversávamos sobre a razão de existir daquela nova família de produtos, os desafios que ela traria, os pontos de atenção do processo e o papel de cada área para que o lançamento acontecesse de forma organizada.
Aos poucos, comecei a perceber uma mudança interessante. Os lançamentos deixaram de ser recebidos com receio. Passaram a despertar curiosidade.
As pessoas deixaram de enxergar apenas novos problemas e passaram a compreender que estavam participando da construção de algo novo.
Na época, pensei que estava apenas melhorando a comunicação entre os departamentos.
Hoje entendo que estava desenvolvendo uma capacidade muito mais importante. Estava ensinando a organização a gerenciar a inovação.
Anos depois, observando empresas de diferentes segmentos, encontrei o mesmo padrão. Muitas enfrentavam dificuldades para lançar novos produtos não porque lhes faltasse criatividade, mas porque nunca haviam preparado a organização para aprender continuamente.
Foi uma das primeiras vezes em que compreendi que inovação não acontece quando um produto é criado.
Ela acontece quando as pessoas desenvolvem confiança para caminhar em direção ao novo.